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Redes Sociais, qual o risco?

As redes sociais ocupam um lugar cada vez mais significativo nas nossas vidas.
Quais os riscos e como nos podemos proteger?

Da mesma forma que saber tocar um instrumento musical não significa que se seja músico, há que aprender a utilizar as redes sociais para que de facto possamos aproveitar todo o seu potencial para melhorar a nossa saúde.

À cabeça surgem as preocupações com a gestão e seleção da informação disponível, bem como a segurança, privacidade e confidencialidade de dados de saúde pessoal.

Redes Sociais e Informação: mais pode ser menos

A facilidade do seu uso e as reduzidas barreiras à publicação nas redes sociais contribuem para uma superabundância de informações, as quais embora relevantes para alguns, serão maioritariamente irrelevantes para muitos de nós.

Tal sobrecarga de informação reduz, contudo, as oportunidades para assimilarmos as informações que efetivamente nos são relevantes e, como tal, poderemos não ficar tão bem informados quanto deveríamos. 

Redes Sociais e Informação: qualidade e credibilidade (ou falta delas)

Historicamente, tem sido extraordinariamente difícil controlar ou regular as fontes e qualidade da informação nas redes sociais.

A sua natureza mutável e dinâmica, com possibilidade de alteração de conteúdos já publicados, dificultam ainda mais o controlo e garantia de qualidade das informações, nomeadamente as relativas à saúde. 

É, pois, frequente serem veiculadas e disseminadas nas redes sociais notícias falsas (fake news), rumores e conteúdos violentos ou manipuladores de sentimentos – recorrendo ao apelo emocional para ganhar visibilidade no meio digital e relegando os factos para segundo plano.

E nem sempre é fácil discernir quais informações são verdadeiras e quais são fabricadas, podendo levar-nos a duvidar daquilo que julgamos saber.

Esta desinformação pode ter consequências prejudiciais nas nossas decisões em saúde, bem como influenciar negativamente a confiança nos médicos e na relação médico-utente.

Adicionalmente, ao concederem um fácil acesso a uma variedade de experiências de outros pacientes, habitualmente lidas sem a ajuda de um profissional de saúde, as redes sociais têm um impacto ainda mal conhecido sobre as decisões, comportamentos e resultados de saúde dos seus utilizadores. 

Em sentido inverso, os conteúdos educacionais criados por unidades/profissionais de saúde como parte de estratégias de publicidade, embora válidos, podem ser algo tendenciosos, dado serem projetados para incentivar os pacientes a marcar uma consulta nessa unidade e/ou com esse médico. 

Informação nas Redes Sociais: como separar o trigo do joio?

Afigura-se importante privilegiar fontes legítimas e livres de conflitos de interesse, bem como refletir de forma cautelosa sobre quaisquer informações obtidas nas redes sociais, procurando esclarecer quaisquer dúvidas de saúde com profissionais devidamente credenciados. 

Uma confiança acrescida pode ser depositada na informação onlineque exiba o selo do Health On the Net code (HONcode), uma vez que é necessário cumprir um conjunto de critérios/ princípios para puder ser legitimamente exibido. 

Leia também:  Dia Mundial das Redes Sociais

Na sua ausência, a verificação de alguns padrões básicos poderão ajudar a revelar informações mais úteis e adequadas para a tomada de decisão: 

  • Autoria – os autores e colaboradores e respetivas afiliações e formação profissional encontram-se discriminados;
  • Atribuição – as referências e fontes de todo o conteúdo estão listadas claramente, juntamente com as informações de direitos de autor;
  • Transparência – a propriedade da página, qualquer patrocínio, acordo publicitário, apoio/ financiamento comercial ou potenciais conflitos de interesse estão claramente identificados;
  • Datação – a data de cada conteúdo e de qualquer atualização está assinalada.

Em todo o caso, os pacientes que usam as redes sociais para aferir a qualidade de uma unidade de saúde ou de um profissional de saúde devem fazê-lo com especial cautela, pois não há um processo de verificação para fundamentar a classificação atribuída. 

(In)Segurança nas Redes Sociais?

Independentemente das estratégias acima mencionadas, os utilizadores das redes sociais são particularmente vulneráveis a ataques de segurança, como esquemas fraudulentos (por exemplo phishing), roubo de identidade e dados, pirataria e vírus informáticos. 

Assim, além de evitar expor demasiada informação pessoal nas redes sociais, deve-se evitar: 

  • fornecer dados pessoais, particularmente sem antes verificar anteriormente o endereço da página que os solicitou, o motivo do pedido e a credibilidade da entidade que o faz; 
  • abrir anúncios duvidosos ou mensagens, anexos e hiperligações de remetentes desconhecidos bem como conteúdos estranhos ou provocadores, ainda que remetidos por conhecidos; 
  • partilhar credenciais de acesso; 
  • fazer transações em redes públicas.

Privacidade e Confidencialidade: as Redes Sociais sabem quem somos!

São legítimas as crescentes preocupações sobre a privacidade dos utilizadores das redes sociais.

De facto, embora a partilha exagerada possa colocar a nossa privacidade em risco, às vezes, não importa quão cauteloso se seja em relação às configurações de privacidade, não conseguimos controlar o texto, tags de identificação, imagens e vídeos que os nossos conhecidos e amigos publicam, com ou sem o nosso consentimento.

E, nada do que é publicado online pode ser garantidamente eliminado, pois poderá ser guardado por algum utilizador, num servidor ou arquivo da Internet

Por isso, reveja as definições das suas contas nas redes sociais de forma a mantê-las o mais privadas possível; se exequível, crie e fomente grupos restritos de partilha e pondere não autorizar a possibilidade dos seus contactos o identificarem nas fotografias que partilhem. 

Ainda assim, tenha em mente que as redes sociais recorrem frequentemente a algoritmos para determinar a localização, orientação sexual, traços de personalidade, sinais de depressão e estados de espírito, entre outros aspetos, mesmo que os utilizadores não coloquem nenhum desses dados nos seus perfis.

Leia também:  Redes Sociais – uma utilização consciente

Esses dados são usados para alavancar as estratégias de marketing e personalizar a publicidade que é apresentada.

Redes Sociais: Princípios do Health On the Net code (HONcode)

1. Autoridade: Toda orientação médica ou de saúde contida no site será dada somente por profissionais treinados e qualificados, a menos que seja declarado expressamente que uma determinada orientação está sendo dada por um indivíduo ou organização não qualificado na área médica.

2. Complementaridade: A informação disponível no site foi concebida para apoiar – e não para substituir – o relacionamento existente entre pacientes ou visitantes do site e seus médicos.

3. Confidencialidade: Será respeitado o caráter confidencial dos dados dos pacientes e visitantes de um site médico ou de saúde – incluindo sua identidade pessoal.

Os responsáveis pelo site se comprometem em honrar ou exceder os requisitos legais mínimos de privacidade de informação médica e de saúde vigentes no país e no estado onde se localizam o site e as cópias do site.

4. Atribuições: Quando for o caso, a informação contida no site será respaldada por referências claras às fontes consultadas, e, quando possível, tendo links HTML para estas fontes.

A data em que cada página médica foi atualizada pela última vez será exibida claramente (no topo da página, por exemplo).

5. Justificativas: Quaisquer afirmações feitas sobre os benefícios e/ou desempenho de um tratamento, produto comercial ou serviço específico serão respaldadas com comprovação adequada e equilibrada, conforme indicado no Princípio 4.

6. Transparência na propriedade: Os programadores visuais do site irão procurar dispor a informação da forma mais clara possível e disponibilizar endereços de contato para os visitantes que desejem informação ou ajuda adicional.

O webmaster exibirá seu endereço de e-mail claramente em todas as páginas do site.

7. Transparência do patrocínio: Os apoios dados ao site serão identificados claramente, incluindo a identidade das organizações comerciais e não-comerciais que tenham contribuído para o site com ajuda financeira, serviços ou recursos materiais.

8. Honestidade da publicidade e da política editorial: Se a publicidade é uma das fontes de renda do site, isto deverá ser indicado claramente.

Os proprietários do site fornecerão uma breve descrição da política de divulgação adotada.

Os anúncios e outros materiais promocionais serão apresentados aos visitantes de uma maneira e em um contexto que facilitem diferenciá-los do material original produzido pela instituição gestora do site.

Por: Dr. Luís Pinho Costa


Médico Especialista em Medicina Geral e Familiar
OM 53312
Entusiasta da transformação digital dos cuidados da saúde

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