Hipertensão arterial em Tempo de Pandemia

Em tempo de Pandemia COVID-19 estamos mais atentos às questões da saúde, e não nos podemos esquecer das doenças crónicas, que já existiam, que já tínhamos, e que já controlávamos, como por exemplo a Hipertensão arterial.

O que é a Hipertensão?

A Hipertensão arterial (HTA), hipertensão ou “tensão alta” é uma doença crónica, caraterizada pelo aumento da pressão dentro das artérias, que são figurativamente os “canos” que levam o sangue desde o coração para todas as partes do corpo.

Esta condição é classificada pelos valores medidos no braço, com um esfigmomanómetro, que é um nome difícil para o “aparelho de medir a tensão”.

São considerados valores de diagnóstico de HTA valores superiores a 140 mmHg para a pressão “máxima” e superiores 90 mmHg para a pressão “mínima”.

Porquê tratar a Hipertensão?

O tratamento desta doença não é curativo, mas sim de controlo, para evitar o aumento do risco de um evento cardiovascular, como o Enfarte do Miocárdio (“ataque do coração”) ou o Acidente Vascular Cerebral (AVC ou “trombose”).

Também é importante relembrar que o “alvo terapêutico”, ou seja, o valor que eu pretendo atingir para diminuir ao máximo o meu risco de um evento cardiovascular, varia de pessoa para pessoa, e deve ser previamente discutido e acordado com o seu médico.

Pertenço a um grupo de risco para COVID-19?

Sim, pertenço, porque a hipertensão é uma doença crónica pré-existente, que pode dificultar a resposta do meu organismo a esta infeção.

E o que preciso saber sobre os recetores ECA e o COVID-19?

O vírus SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19, entra nas nossas células através de uns recetores (como se fossem a chave para uma fechadura da porta de entrada), chamados recetores ECA, que existem em vários órgãos do nosso corpo.

Ao mesmo tempo, existem vários medicamentos para o controlo da hipertensão que atuam nesses mesmos recetores.

Ora, esta informação levantou algumas dúvidas sobre o risco acrescido que as pessoas a tomarem esta medicação teriam, mas também se questionou sobre o seu eventual efeito protetor.

A conclusão consensual que as várias sociedades científicas chegaram é que o maior risco será sempre o de não cumprir com o esquema de tratamento habitual de cada doente, aumentando o risco de evento cardiovascular, que tem uma taxa de complicações e mortalidade importante.

Portanto, não devo suspender ou alterar a minha medicação sem discutir as opções terapêuticas com o meu médico assistente.

O confinamento também dificulta o controlo da hipertensão?

O fato de estarmos em casa, com tempo, deveria significar que agora já não temos desculpas para não cuidar da nossa saúde.

  1. Vamos controlar a nossa ansiedade e os níveis de preocupação, para que estes não sejam motivos para mau controlo da nossa tensão.
  2. Vamos experimentar receitas saudáveis, mas saborosas, com pouco sal e mais especiarias.
  3. Vamos combater o sedentarismo, iniciando, continuando ou retomando uma atividade física. Mesmo em tempo de pandemia há muitas opções – pesquise nas redes sociais, no seu ginásio habitual, na televisão… seja criativo!
  4. Se é fumador/a, aqui está uma ótima oportunidade para deixar de fumar. Ajuda a controlar a hipertensão e reduz o risco de complicações de COVID-19 (entre tantos outros benefícios).

Quando me devo preocupar o meu médico ou ir ao Serviço de Urgência?

Quando os meus valores de tensão não estiverem bem controlados, regra geral quando estão acima de 140/90 mmHg, devo procurar o meu médico (primeiro por telefone) para avaliar a situação e fazer os ajustes necessários.

Nesta altura em que todos queremos evitar contactar com pessoas infetadas, muitas consultas podem ser feitas por telefone.

Se os valores de tensão estiverem muitos altos superiores a 180/100mmHg, e/ou se tiver dor de cabeça muito intensa, tonturas, dor no peito, sentir falta de ar ou tonturas / vertigens, deve procurar ajuda o mais breve possível, através do SNS24, 112 ou ida ao Serviço de Urgência.

Mesmo em tempo de pandemia, não evite o Serviço de Urgência em caso de verdadeira Emergência!

Cuide de si! Tenha a Wiselife sempre consigo!

Por: Maria João Nobre | Médica de Família

Covid 19, Doenças Infeciosas, Doenças Respiratórias

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