Como é viver com dermatite atópica

A dermatite atópica, ou eczema, é uma doença inflamatória das camadas superficiais da pele. Neste artigo partilhamos 2 experiências distintas.

A Dermatite atópica, ou eczema, é uma doença inflamatória das camadas superficiais da pele, afeta crianças e adultos, e manifesta-se com manchas, vermelhidão e comichão da pele. A Dermatite atópica é uma doença crónica e recorrente que acompanha o individuo ao longo da sua vida. Para conhecermos melhor os desafios de viver com esta doença fomos conhecer 2 histórias de pessoas que convivem com esta patologia.

A Teresa já tinha ouvido falar de dermatite atópica, mas só compreendeu a dimensão do problema quando o filho mais velho, o Tomás, agora com 7 anos, foi diagnosticado com a doença. Conta-nos que aos 6 meses começaram a aparecer umas manchas vermelhas no tronco, “o Tomás estava sempre desconfortável, chorava muito, tinha dificuldade em dormir”. A consulta com o médico indicou que tinha dermatite atópica, iniciou o tratamento e as lesões foram melhorando. No entanto, reconhece que é muito difícil explicar a uma criança pequena que não pode coçar as lesões, que tem que aplicar creme regularmente, e que não deve usar determinados produtos porque agravam as lesões.

Refere que com o tempo tem sido mais fácil gerir a doença, mas os momentos de crise são sempre complicados. Conta-nos que aos 5 anos o Tomás pediu para praticar futebol, e mesmo sabendo dos benefícios do desporto, ficou muito ansiosa: como ia garantir que depois dos treinos tomava banho corretamente e aplicava o creme? E se ficasse com lesões, o que iriam pensar as outras crianças? Tudo se resolveu com uma conversa com o centro de treinos e hoje em dia o Tomás adora futebol.

O António tem 30 anos, não sabe bem quando teve o diagnóstico da doença, porque desde sempre se lembra de ter estas lesões na pele e muita comichão. Recorda que na escola foi alvo de piadas maldosas por estar sempre a coçar-se. Hoje em dia convive bem com a sua doença, mantém os cuidados regulares da pele e raramente tem crises, só em momentos de stress.

Mas nem sempre foi assim, recorda que entre os 17 e os 19 anos tinha muitas lesões sobretudo nas flexuras dos cotovelos e joelhos, mas por vezes também nas coxas e no tronco. Foi muito difícil aceitar a doença e não cumpria o tratamento, quando as lesões apareciam aplicava os cremes durante uns dias, mas depois não tinha cuidado nenhum e as lesões voltavam. Sentia-se frequentemente triste, frustrado e envergonhado com o seu corpo, evitava expor-se. Diz-nos que não houve nenhum momento em especial que o tivesse feito mudar de comportamento, simplesmente estava cansado de viver assim e decidiu procurar ajuda médica.

Conta-nos que o mais importante dessa consulta foram as informações sobre os cuidados da pele no dia-a-dia. Passou a ter cuidado com os banhos, a usar apenas produtos para peles atópicas e a aplicar creme 1 ou 2 vezes por dia. Notou uma melhoria significativa da pele, raramente tem lesões, e que quando surgem controla rapidamente com a medicação prescrita pelo seu dermatologista.

A dermatite atópica não tem cura, mas tem tratamento. Estes testemunhos reforçam a importância do papel do doente na gestão desta patologia.

Por Ana Luís Pereira | Médica de Família

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